Aparência importa? Todo cuidado é pouco…

Cinco executivos de recursos humanos revelam até que ponto tatuagem (sua aparência), piercing, brinco, roupa e peso interferem na trajetória profissional do funcionário

No começo do ano, cinco professoras da rede estadual de ensino de São Paulo foram impedidas de assumir o cargo por estarem acima do peso. O caso trouxe à tona a reflexão: quanto o aspecto físico deve interferir na carreira? Segundo pesquisa da revista americana Newsweek, da seleção às promoções, a aparência importa sim, e muito.

Dos cerca de 1 150 entrevistados, entre vice-presidente, gestores de RH, recrutadores e funcionários, 57% acreditam que um candidato qualificado, porém menos atraente, enfrenta mais dificuldade para ser contratado do que um com boa aparência. E 68% acreditam que a feição continuará interferindo nas avaliações de desempenho anuais. Além disso, 68% hesitariam em contratar um candidato muito acima do peso, e 84%, um muito mais velho que a equipe. Para as mulheres, um alerta: outro estudo, da Universidade de Elon, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, aponta que maquiagem excessiva sinaliza que a profissional está mais interessada num encontro do que na carreira.

Para discutir o assunto, convidamos os executivos Anna Paula Rezende, diretora executiva de RH da White Martins; Fernando Viriato, diretor de RH da Accor América Latina; Maria Eduarda Gordilho, gerente de RH da DM9; Victor Matheus, gerente-geral de RH da LG Electronics Brasil; e Werner Mitteregger, diretor de RH da Tecnisa. Clique nos nomes abaixo para conferir as opiniões:  

Anna Paula Rezende, Diretora Executiva de RH da White Martins

“Nas corporações, o foco é saber se a pessoa tem competência para realizar as atividades do cargo, e dentro disso há alguns pilares: crescimento, competências, experiência e aparência. Um colaborador com feição excelente, mas sem os atributos, pode causar uma primeira boa impressão, mas isso não é decisivo para ele se manter no cargo. Na White Martins temos uma política inclusiva e com foco na diversidade. Temos 4 200 funcionários espalhados em 150 unidades, então encontramos gente de todos os tipos, de diferentes vestimentas, características físicas, crenças religiosas, peso, altura. Temos empregados com piercing na orelha, por exemplo. Mas, se a pessoa está numa reunião com clientes formais, precisa estar de terno. Se o homem tiver cabelo comprido pode prender para ficar mais arrumado ou tirar o piercing para a ocasião. Os colaboradores representam a empresa nos clientes, então eles precisam fazer uma leitura do ambiente em que estão. Não temos um código de vestimenta, mas tivemos casos de funcionários pedindo dicas de como se vestir. Por exemplo, não é adequado usar blusas transparentes, decotes chamativos ou blusas que deixem a barriga aparecendo.” 

Fernando Viriato, Diretor de recursos humanos da Accor América Latina

“A aparência não substitui a competência, mas a competência pode se beneficiar da boa aparência. Antes de a pessoa fazer uma tatuagem, ou colocar um piercing, ela deve avaliar sua área de atuação. Os setores jurídico, financeiro e de saúde são bastante conversadores em relação à vestimenta e a tatuagens, diferentemente do setor de tecnologia, moda ou publicidade. Li uma pesquisa, de 2009, com 514 diretores de RH de grandes companhias, na qual 50% deles acreditavam que o candidato não estava interessado no posto quando ia vestido à entrevista de forma inadequada. Há momentos em que a primeira impressão fica, e a entrevista de emprego é um deles. Nós temos marcas hoteleiras de diversos segmentos e cada uma tem um uniforme. Em hotelaria, uniforme, crachá, higiene pessoal representam uma boa parte da percepção que a gente quer que o cliente tenha do serviço. E como 95% dos nossos 7 000 colaboradores têm contato com o hóspede, há a necessidade de que sigam o padrão. Temos comunicados que informam o correto uso do uniforme, do cabelo, da maquiagem — da imagem. Além disso, temos de cumprir exigências legais. Por exemplo, quem trabalha na cozinha não pode usar unhas compridas (nem pintá-las) ou perfume.”

Werner Mitteregger, Diretor de RH da Tecnisa

“Eu sou realista: a forma de vestir e se portar influencia sim. Por causa do preconceito, da educação que as pessoas tiveram, temos um quadro de referência que faz com que estranhemos o diferente. Embora roupa, piercing, essas coisas não devessem importar nem ter influência sobre a competência ou sobre a capacidade de trabalho, as pessoas que se distinguem da cultura da empresa têm de se provar de forma diferenciada em relação aos demais. Antes de se vestir, o profissional precisa entender em qual contexto ele trabalha. Se é um ambiente formal, alguém assim seria visto com estranheza. Da mesma forma se em um ambiente informal alguém estivesse de terno e gravata. Na Tecnisa não é diferente. Temos uma orientação de vestimenta que obriga o uso de camisa, calça e sapato. Não está escrito que os homens estão proibidos de ter cabelo comprido, mas existem regras não escritas.”

Victor Matheus, Gerente-geral de RH da LG Electronics Brasil

“Na sociedade como a gente a conhece, a aparência sempre contou. Ela remete a status social, posição e conta muito tanto na vida pessoal quanto na organização. Na companhia depende muito da cultura organizacional, mas certamente prevalece o senso comum. A LG é uma empresa de TI coreana. E a cultura coreana prefere o clássico, o coletivo, que chame menos atenção para o indivíduo. Quando o colaborador se caracteriza muito diferente, com piercing, cabelo colorido ou roupa personalizada, ele passa uma posição individual. E companhia com foco no coletivo não gosta disso. A recomendação dada aos homens é usar calça e camisa social, tudo discreto. As mulheres podem usar saia e calça social. Na sexta há mais flexibilidade, mas o jeans é proibido da gerência para cima. Nós temos um código de vestimenta na intranet; e há um ano foi retirado dele a exigência da gravata — depois de 14 anos de uso. Acho que a aparência influência no relacionamento interno, na forma como as pessoas se apresentam umas às outras. Apesar de termos ferramentas pragmáticas de avaliação de desempenho, todas as avaliações têm uma análise que não é tangível. E o não tangível passa pela questão de como uma pessoa reconhece a outra — é onde entra a aparência.”

Maria Eduarda Gordilho, Gerente RH da DM9

“Desde a década de 90 se discute a questão da pessoa ser a mesma no trabalho e na vida pessoal. Na DM9, acreditamos nisso. O funcionário é um ser humano único, com desejos e características próprias. Se um colaborador curte usar piercing porque acha que fica bonito, se sente confiante, por que ele não pode usar no ambiente de trabalho? Aqui, temos muita gente tatuada, com piercing — e até diretor cabeludo. Existe respeito pelo ser humano. Sua aparência física não muda quem ele é, nem sua capacidade técnica nem sua liderança. E acho que cada vez mais as empresas devem incentivar as pessoas a serem indivíduos únicos, próprios. Nas entrevistas de recrutamento valorizamos isso: quem é a pessoa? É mãe? Tem filho? Porque o candidato pode ter uma ótima aparência e conhecimento técnico, mas ser péssimo no dia a dia. Respeitamos o jeito de ser de cada um, mas cabe, claro, o bom senso. O funcionário deve estar bem arrumado quando vai ao cliente. Tatuagem, cabelo comprido, isso não nos incomoda, mesmo que o profissional vá atender um cliente tradicional, como o Itaú. Mas não queremos que ele vá de chinelo ou minissaia. Procuramos dar uma orientação de carreira para os estagiários: não impomos um tipo de roupa, eles podem até visitar o cliente de jeans, só cuidamos para que eles estejam limpos e cheirosos.”

»Por Tatiana Sendin »

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