Cuidado para não se passar por uma formiga…

Todos os dias a formiga chegava cedinho à repartição e desatava a trabalhar.

Produzia e era feliz. O chefe, o Dr. Fausto Leão, estranhou que a formiga trabalhasse sem supervisão. Se ela produzia tanto sem supervisão, melhor seria se fosse supervisionada.

E contratou a doutora Barata Vital, alguém muito importante e que tinha muita experiência como supervisora e fazia belíssimos relatórios e informações.  A primeira preocupação da doutora Barata foi a de estabelecer um relógio-ponto digital datiloscópico para controlar a entrada e saída da formiga da repartição.

Em seguida, a doutora Barata precisou de uma secretária para ajudá-la a preparar os relatórios. Contratou uma cobra que, além do mais, organizava os arquivos. O Dr. Leão ficou encantado com os relatórios da doutora Barata e pediu também gráficos com índices de produção e análise de tendências, que eram mostrados em reuniões específicas para o caso.

Foi então que a barata acautelou um lap top e uma impressora laser e admitiu o Grilo Falante para gerir o departamento de informática.

O Grilo controlava todos os acessos de Internet, ligações telefônicas e os repassava aos ouvidos da doutora Barata, que por sua vez os relatava ao Dr. Leão.

A formiga, de produtiva e feliz, passou a lamentar-se com todo aquele universo de papéis e reuniões que lhe consumiam o tempo! O Dr. Leão concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga operária trabalhava.

O cargo foi dado a uma cigarra, cuja primeira medida foi comprar uma carpete e uma cadeira ortopédica para o seu gabinete. A nova gestora, a cigarra, precisou ainda de computador e de uma assistente (que trouxe do seu anterior emprego) para ajudá-la na preparação de um plano estratégico de otimização do trabalho e no controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e a cada dia se mostrava mais enfadada e deprimida.

Foi nessa altura que a cigarra convenceu o gerente, o Dr. Leão, da necessidade de fazer um estudo climático do ambiente. Ao considerar as disponibilidades, o Dr. Leão deu-se conta de que o Gabinete em que a formiga trabalhava já não rendia como antes; e contratou a Doutora Coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa em consultoria, para que fizesse um diagnóstico e sugerisse soluções.

A coruja permaneceu três meses nos gabinetes e fez um extenso relatório, austero, em vários volumes, que concluía: “Há muita gente neste setor” Adivinhem quem o Dr. Leão começou por despedir? A formiga, claro, porque “andava muito desmotivada e aborrecida”.

E a formiguinha, diante de tanta perseguição, desempregada, enfartou.

“Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência …”

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