Porque empresas perdem bons funcionários ?

Muitas empresas encontram dificuldades para manter seus profissionais por muito tempo na casa, registrando alta rotatividade (também alto custo) e perdendo talentos. Quanto maior a empresa, mais difícil é enxergar a origem do problema, e acabam colocando a culpa no funcionário que não soube “trabalhar com pressão” ou no fato dele querer ganhar mais.

Empresas inteligentes sabem que alta rotatividade é problema de gestão. Também sabem que funcionários não se demitem da empresa, mas dos seus superiores. Só nos EUA, 20 milhões de empregados deixaram seus empregos para fugir de ameaças no trabalho.

Há várias razões que levam funcionários deixarem a empresa — falta de reconhecimento, salário incompatível, pouca perspectiva, pouco ou nenhum acompanhamento/feedback, promessas não cumpridas –, mas uma das mais ocultas são os chefes.

Já vi gente ficar na empresa ganhando pouco porque adorava seu chefe, também já vi gente abrir mão de um bom contra-cheque porque seus superiores eram uns filhos da mãe. Gestores incompetentes, arrogantes, ausentes, com ar de superioridade, emocionalmente desequilibrados… esses são, sem dúvida, uma das maiores razões de empresas perderem bons profissionais. Sinceramente, não sei como pessoas assim chegam a altos cargos, mas eles chegam.

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Embora em menor número, mesmo grandes empresas falham em impedir que gestores assim sejam contratados. Afinal, é difícil conhecer alguém só com entrevistas e alguns testes psicológicos (e o currículo, quase sempre, fala mais alto).

Descrever maus chefes é um trabalho longo. Tem muitos tipos por aí, dos que não oferecem oportunidades de crescimento para não perder o funcionário até o super competente que trata os subordinados como lixo. Vamos nos ater ao tipo mais nocivo, o último.

Um dos grandes pesquisadores da relação chefe-funcionário, no mundo, é o professor Wayne Hochwarter da Universidade da Flórida. Ele e seus estudantes descobriram coisas interessantes que que nos ajudam a visualizar o que é um mau chefe:

41% “o chefe tem o hábito de empurrar trabalho em vez de ele mesmo fazer”

39% “o chefe não mantém promessas”

37% “o chefe não dá crédito quando eu mereço”

33% “quase todo dia o chefe enche seu ego”

31% “meu chefe tende a exagerar nos seus feitos na frente dos outros”

26% disseram que o chefe apresenta dificuldade em administrar seu temperamento agressivo”

24% “peguei meu chefe mentindo, mas ele não me pediu desculpas ou me explicou.”

19% “meu chefe parece ter inveja quando as pessoas relatam coisas boas”

Talvez chefes não tenham noção, mas suas ações estão sendo vigiadas de perto. Suas atitudes funcionam como modelos, tanto positivos como negativos. Esses números mostram como funcionários percebem seus chefes, o que com certeza impacta no seu trabalho e na sua motivação. Mas impacta quanto?

Uma coisa é ter um chefe que não cumpre o que promete, que mente, é egocêntrico — atitudes que comprometem a confiança —, outra coisa é ter um chefe que trata mal, é grosseiro e intransigente. Esse último, sem dúvida, afeta o desempenho da equipe de forma irreparável. Desmotivação e raiva são duas consequências imediatas a esse tipo de comportamento que, eventualmente, resultará em demissão, seja por parte da empresa ou do funcionário. Mas até chegar a demissão, a empresa já perdeu muito.

Vejamos alguns números estarrecedores comparando funcionários que costumam ser destratados pelos seus superiores com aqueles que não são.

Cometem erros propositalmente ou são mais lentos: 30% vs. 6% Escondem informações: 27% vs. 4% Não se esforçam ao máximo: 33% vs. 9% Tiram licença sem estar doentes: 29% vs. 4% Probabilidade de um funcionário destratado apresentar sugestões ou ir além de sua função: 3 vezes menor

Vamos deixar claro que as pessoas não trocam de empresas apenas por causa dos seus chefes, nem que a culpa da má relação funcionário-chefe é sempre do chefe (às vezes uma equipe pode ser bastante cruel com o novo gestor). O que esses dados deixam claro é que essa má relação (seja de quem for a culpa) impacta no desempenho da empresa.

Comunicação gera confiança e confiança gera melhores resultados, funcionários mais engajados e até mais dispostos a aceitarem o salário que tem. Portanto, se nenhum funcionário está parando na função, no departamento ou na empresa, é problema de gestão.

Fonte:PequenoGuru

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